Pietro 01 EDITORIALAbraham Lincoln escreveu para o professor de seu filho “Busque dar a meu filho a força para não seguir a massa, mesmo quando todos saltam no carro do vencedor”. Na política é assim e os americanos chamam o fenômeno de bandwagoning, quando se sobe no carro da banda. Mas o carro dos vencedores pode rapidamente transformar-se no carro dos perdedores. Observamos as últimas transformações na política italiana e brasileira. Momentos duros e indefinidos para ambos os países. Na Itália, a vitória do “não” muda o caminho do agora ex-premier Matteo Renzi. A vitória com a forte diferença de 20% é atribuída à recessão econômica e à falta de perspectivas dos jovens que, de norte a sul do país, se mostram impacientes com os rumos da política.
E se Renzi saiu perdedor, mesmo com o apoio dos votos dos residentes no exterior — só no Brasil foram mais de 84% dos votos a favor do “sim” —, honrou sua palavra ao se retirar da cadeira da presidência do Conselho de Ministros e foi muito habilidoso ao formar em tempo breve um novo governo com o ex-ministro das Relações Exteriores, Paolo Gentiloni, à frente. Aliás, Gentiloni esteve no Brasil em novembro do ano passado e mostrou o apoio italiano para que o país sul-americano saia da crise. O sucesso da missão foi tamanho que levou o então embaixador em Brasília Raffaele Trombetta para ser seu chefe de gabinete na Farnesina.
E, se há um ano, o cenário da política corria em torno da operação Lava Jato por aqui, nada mudou. E os mesmos personagens que pediam a saída do governo anterior agora também aparecem envolvidos em novos escândalos. E os brasileiros, que respiravam uma onda positiva há poucos anos, mas sempre foram acostumados a oscilações financeiras, estão cada vez mais incrédulos na recuperação desta vez. Toda a sujeira removida para debaixo do tapete volta à tona agora no dia-a-dia enfrentado pela população que sofre com a falta de investimento em infraestrutura básica e com o aumento da violência. Violência que mata quem mora por aqui e outros que estão de passagem, como foi o caso de Roberto Bardella, assassinado num bairro tradicional do Rio de Janeiro.
Dedicamos parte do espaço editorial deste número à nobre carta enviada por Rino Polato, primo da vítima que o acompanhava na viagem e que ficou em estado de choque com o ocorrido. Mas, na carta, ao contrário de uma raiva pelo fato ocorrido dias antes, ele agradece ao povo brasileiro pelas manifestações de carinho. E este espírito reforça ainda mais os laços que unem brasileiros e italianos.

Boa leitura!