Pietro 01 EDITORIALUm dramático terremoto mostra muito da identidade cultural e nacional italiana. Na foto de capa, como exemplo, temos um bombeiro que delicadamente carrega uma cruz, que não é meramente um artigo religioso, mas um objeto de arte realizado por Pietro Paolo Vannini, que várias gerações de Amatrice veneraram. Agora, na cidade mais atingida pelo forte tremor de terra, estão ainda lá reunidos, com paciência e conhecimento, vários técnicos do ministério para os Bens Culturais. Também a recuperação do arquivo municipal é valorizada por lá com muito respeito ao tesouro que representa o patrimônio artístico da península.
A tragédia que levou embora centenas de vidas une o povo italiano dentro e fora do país através de uma corrente para a reconstrução das localidades atingidas. As inúmeras formas de colaboração chegam de toda parte do planeta e, silenciosamente, ou não, mostram o quanto a preservação da memória é sentida através das tradições, das recordações familiares ou mesmo da admiração da beleza que define a Itália. Esse é o verdadeiro sentido de comunidade que não tem métrica ou se destrói pela modernidade.
No Brasil, após as Olimpíadas bem sucedidas e os abalos que levaram à queda da primeira mulher presidente da República, é o momento de união de forças para a retomada da economia. Mas reativar os investimentos num país fragmentado pela política e pelos desvios do poder público requer garantias. Estamos em uma fase em que os empreendedores querem pisar no acelerador, mas o freio gerado pela falta de incentivos e incertezas não deixa espaço para arriscar.
Para o fim do mês de novembro, o governo italiano anuncia missão empresarial que deve trazer ao Brasil cerca de 300 empresas. É um sinal positivo de que o país ainda goza de confiança internacional e de que apresenta ótimas oportunidades para que os negócios gerem uma guinada positiva na agenda brasileira. É hora de os dirigentes públicos e privados da sociedade dobrarem as mangas e mostrarem que a única alternativa para o desenvolvimento é o trabalho que edifica e reconstrói mesmo nos terremotos mais duros de nossas vidas.

Boa leitura!