Pietro 01 EDITORIALNossa capa traz o embaixador Antonio Bernardini, que assumiu o belíssimo prédio construído por Pier Luigi Nervi em Brasília, após a saída de Raffaele Trombetta, há três meses. Nesse curto período, o atual diplomata italiano mais importante na ponte entre os dois países não teve tempo ocioso. Entre os jogos olímpicos e importantes missões italianas ao Brasil, Bernardini experimentou uma intensa agenda de grande relevância para o futuro da relação bilateral. Com isso, ele também teve a oportunidade de conhecer de perto a realidade da presença italiana pelos estados que passou e nos dedicou esta entrevista em que detalha quais são as prioridades para o seu mandato. Aliás, ele já trabalha para o sucesso da missão empresarial italiana, que deverá ocorrer no fim de novembro em São Paulo, e também para a organização do voto dos cidadãos residentes no território brasileiro para o referendo constitucional que acontece por correspondência antes mesmo de os italianos votarem na Itália, no dia 4 de dezembro.
E sobre esta chamada às urnas, o que está em jogo vai além da estabilidade política da península. Existe uma forte pressão internacional e dos mercados sobre o resultado deste pleito que deixa a Itália em fibrilação nesses dias de debates calorosos. Depois do chamado Brexit, com a saída dos britânicos da União Europeia, analistas classificam que uma vitória do “não” causaria um enfraquecimento do país e, por conseguinte, também do bloco.
À parte a hipérbole que faz parte do discurso político italiano e é usada por bolsas de valores para especulações, uma derrota do governo italiano, somado ao baixo crescimento e o enfraquecimento dos bancos, pode ser uma receita difícil de superar.
Fato é que esta é a decisão mais delicada para a soberania popular italiana dos últimos tempos. E o belo é que este é um exercício pleno da democracia. Somente grandes países como a Itália podem se permitir este exercício e, quando o envelope com a cédula de votação chegar às residências dos cidadãos no exterior, é natural sentir orgulho de pertencer a esta nação e refletir sobre a dimensão da escolha que muda a Constituição italiana.

Boa leitura!