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IlLettoreRaccontaQuem não ouviu falar da Papaiz, marca de chaves, fechaduras, cadeados, dobradiças e acessórios? Papaiz virou até sinônimo de tetrachave, aquela com dentinhos e quatro voltas, que inspira mais segurança. E tem suas origens na Itália. O repórter Maurício Cannone conversou com Sandra Papaiz, filha de Luigi Papaiz, fundador da famosa marca, nascido em Sesto al Reghena, na província de Pordenone, situada no Friuli-Venezia Giulia. Ele começou suas atividades industriais em Bolonha, e de lá se estabeleceu em Vila Prudente, distrito da cidade de São Paulo, em 1952. No Brasil, nasceram os irmãos Sandra, Paolo e Roberta, e descendentes. Desde Luigi, já são quatro gerações no país.

Inicialmente, Luigi Papaiz não emigraria para o Brasil com a finalidade de entrar no ramo de chaves e fechaduras, mas as circunstâncias o fizeram mudar. A família já tinha tradição de migração na geração do avô, que se transferiu para a Califórnia e depois para o Canadá, como conta Sandra.
— Meu pai nasceu em Sesto al Reghena, no Friuli. Brincava no Brasil que era nordestino, porque a sua cidade fica no nordeste da Itália. Estudou em Bolonha com os salesianos, mas, na época da guerra, precisou voltar para a terra natal dele. Sou mistura de friulano com emiliana. Minha mãe, Angela, que está viva, é bolonhesa. Meu pai morreu em 2003. Ele tinha uma pequena fábrica em Bolonha, para onde voltou depois da guerra. Depois, decidiu vir para o Brasil. Era técnico-mecânico e viu mais possibilidades na América Latina de ter uma atividade própria porque, se fosse para um país mais desenvolvido, achava que se tornaria um operário. Inicialmente, trabalharia aqui com ferro elétrico a vapor, mas descobriu fechaduras e cadeados. Pouco depois, nos anos 1960, aproveitou a fase de desenvolvimento industrial do Brasil na hora certa — revela.
Pouco antes de despedir-se da vida, Luigi Papaiz foi condecorado em 2003 por Carlo Azeglio Ciampi, então presidente de República da Itália, com a comenda de Cavaliere di Gran Croce. Em 1984, a Câmara Municipal de São Paulo o agraciou com o título de cidadão paulistano. Oscar Luigi Scalfaro, outro presidente italiano, o nomeou Cavaliere del Lavoro, em 1992. Algumas das tantas homenagens feitas por Brasil e Itália.  
— Ele sempre foi um bom empresário, voltado para a comunidade. Tinha preocupação com os italianos no Brasil, que nem sempre tinham a mesma sorte. Ele procurava manter creches em suas fábricas — lembra a filha.
O italiano também foi condecorado com a Ordem do Cruzeiro do Sul na Embaixada brasileira em Roma. Aprendeu com os salesianos a ajudar velhinhos e jovens.
Luigi Papaiz deixou legado no campo da educação, continuado por seus filhos, contribuindo com algumas instituições:
— A Eugenio Montale é a única escola em São Paulo que ensina 80% em italiano. Tem cerca de 300 alunos no total, do maternal ao liceu. A escola também tem atividades esportivas. Há também o Instituto Dom Bosco, uma mistura de Senai com Sebrae, com vários cursos técnicos e profissionalizantes. Forma, marceneiros, sapateiros etc — afirma Sandra, que é presidente do Conselho de Beneméritos. O irmão, Paolo, é presidente das cestas básicas.
O industrial friulano foi imortalizado na Avenida Luigi Papaiz, em Diadema, região do ABCD paulista, onde teve fábrica. Em 2015, a Papaiz e a Udinese, outra empresa da família, foram vendidas para uma multinacional sueca:
— Hoje, é muito difícil manter as empresas familiares. Há grupos concentrando muitas atividades. Mas vendemos as empresas para o grupo Assa Abloy, que é quem pôde dar melhor continuidade às nossas atividades. A marca Papaiz foi mantida e alugamos nossas instalações para eles. Atualmente a família está mais no ramo imobiliário. O mundo se torna cada vez mais globalizado, mas não se podem globalizar também as pessoas. Sempre procuramos ser muito éticos. Nunca corrompemos ninguém, compradores ou governos.
Os laços com a Itália continuam estreitos.
— Vou à Itália duas vezes por ano. Lá moram tios e primos nossos. Temos casa em Bolonha e no Friuli, em Cortina d’Ampezzo, onde recentemente peguei 17 graus abaixo de zero. Admiro o Brasil, sou brasileira, mas tenho orgulho da minha ascendência italiana também — finaliza Sandra Papaiz.

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