De volta às férias I

AryGrandinetti

Vamos começar pelo início: Alemanha e Áustria

Resisti, a princípio, em ir à Alemanha. Pensei em esperar minha mulher na Itália, onde ela me encontraria quando terminasse o curso. Mas o pedido dela quebrou a minha resistência. E assim, fui. Belíssimas paisagens e muitas cervejas depois, agradeço-lhe pela maravilhosa experiência. E as minhas férias ficaram divididas em duas partes: Alemanha e Itália.
Eu tinha uma reservada impressão de que não me daria bem com os alemães. Sisudos, cartesianos, impacientes, mal-humorados, pensava eu. Os fatos expuseram a mim e minha íntima e silenciosa vergonha pela soma da minha burrice com preconceito. Mais um aprendizado para que eu não desenvolva síndromes sobre os meus defeitos.
A minha preguiça me afastou das evidências históricas. Alemanha e Áustria deram ao mundo muitos dos maiores pensadores da História, como Kant, Nietzsche, Heidegger, Marx, Schopenhauer, Bach, Mozart, Beethoven e o grande Freud, que veio para dar uma arrumada na cabeça da humanidade. Não que eu voltasse mais inteligente após pisar o solo desses monstros do pensamento, mas certamente voltaria mais curioso.
Quanto ao humor, a Oktoberfest mostra o clima da Bavária, com a sua alegria, os seus figurinos característicos, e muita, mas muita cerveja. Cheguei pouco depois que a festa havia terminado, porém tive a nítida percepção que pelo menos aquela “barra da saia” da Alemanha — a Alta Baviera, região que conheci bem — era permanentemente contagiada pelo clima festivo, assim como o nosso Carnaval. A Oktoberfest nasceu em 1835, com o desfile em homenagem ao 25º ano de casamento do Rei Ludwig I com a esposa Theresie. Em 1950, entrou na agenda anual das comemorações em Munique.
Chegamos a Bad Reichenhall, a pequena e charmosa estação termal próximo à fronteira com a Áustria, a sete quilômetros de Salzburgo. Ficamos no Wyndham Gran Axelmannstein, hotel antigo que preserva a sua majestade, apesar dos claros sinais de que o seu esplendor ficou no passado. O quarto é imenso — coisa que não encontramos nos hotéis modernos — muito confortável e com belíssima vista para o jardim e as montanhas com seus picos nevados. Demonstrava ter passado por reforma recente, com toda a forração, tapete e cortinas novos e limpos. O jardim é uma atração à parte, com 30 mil m² de caminhos cobertos por árvores e flores, além de um pequeno lago com vários chafarizes. Se eu voltar à cidade, certamente ficarei lá de novo.
Jantamos no restaurante do próprio hotel, o Axel-Stüberl, onde um simpático músico tocava um estranho instrumento de cordas, como uma pianola, e cantava clássicos do repertório internacional e do folclore bávaro, arriscando, eficientemente, algumas canções que ele buscava conforme o país de origem dos clientes. A música alegre e algumas cervejas colocavam o pessoal para dançar animadamente. Começavam ali as nossas festivas boas-vindas.
Na Itália, sempre peço (pois viajo propositalmente na época delas, as minhas deusas da culinária: as trufas brancas) tagliolini al burro com tartufo bianco em cada novo restaurante. Da mesma forma, descobri que o prato de resistência local é o wiener schnitzel, nosso popular bife à milanesa. Lá, feito de porco ou vitela, vem com maionese de batata, geleia de cranberry e, quase sempre, uma salada de repolho. Os cardápios de todos os restaurantes de toda a extensão da Alemanha e da Áustria que eu frequentei eram muito limitados e praticamente idênticos nas opções.
Em Bad Reichenhall, fomos também ao Bistro-Restaurant Boulevard. Situado embaixo de um cassino homônimo, é luxuoso e tem boa comida, mas péssimo atendimento. O Luisenbad Restaurant foi o mais refinado e o de melhor culinária típica da cidade. O B 306 Steaks, Burgers & More é uma steak house com excelentes carnes, boa variedade de cervejas e bons vinhos. Coisa rara nos restaurantes locais, o serviço, apesar da demora dos pratos, foi atencioso. O Gasthof Neuhaus, em Berchtesgaden, me surpreendeu tanto pela boa vitela à milanesa quanto pela costela de porco na brasa. Em Uberau, próximo a Berchtesgaden, almoçamos no restaurante da pousada Gasthaus Laroswacht, um dos mais bucólicos que já conheci, em frente a um riacho de água cristalina. Que lugar! Faz até esquecer a qualidade bem mediana da comida. Próximo dali, conheci a destilaria Grassl Gebirgs Enzian, com excelente degustação de todos os licores e destilados. Assim como a pousada, a destilaria está nas mãos das respectivas famílias há várias gerações.
Depois de uma grande maratona de restaurantes em busca do wiener schnitzel perfeito, concluí que o chef do Bar Lagoa, no Rio de Janeiro, ficaria milionário por lá. Ainda assim, os melhores foram os do restaurante Augustiner Klosterwirt, antigo mosteiro que em 1328 foi o berço da cerveja J.W. Augustiner-Bräu München, e o campeão, do Restaurant s’Herzl, em Salzburgo.
A culinária não foi o que mais me agradou na Alemanha e Áustria. Mas as paisagens e as cervejas são inesquecíveis. Vamos passear por elas na crônica do mês que vem. Até lá!

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