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Revista Online
Slow Food chega ao Cerrado
Por Stefania Pelusi - Brasília   
17 de janeiro de 2012
ImageNascida na Itália, organização promove encontros, visitas e oficinas em Brasília para celebrar o alimento bom, limpo e justo. A líder da organização explica à Comunità como esse movimento chegou ao Brasil

Bom, limpo e justo. Essa é a filosofia do Slow Food. O alimento que comemos deve ter bom sabor; ser cultivado de maneira limpa, sem prejudicar a nossa saúde, o meio ambiente ou os animais; e seus produtores devem receber o que é justo pelo seu trabalho. Com esses princípios, a organização Slow Food nasceu na Itália em 1989 para se contrapor ao fast food e ao fast life, ao desaparecimento das tradições alimentares locais e à diminuição do interesse das pessoas pelo alimento que consomem. Fundada por Carlo Petrini, visa melhorar a qualidade das refeições e a existência de uma produção que valorize o produto, o produtor e o próprio meio ambiente. A cidade natal do fundador, Bra, revelou-se o berço perfeito para o movimento: está situada no Piemonte, região italiana famosa pelos vinhos, trufas brancas, queijos e carne de vaca. 
 
Não por acaso, o caracol, caracterizado por movimentos lentos e pela calma durante o ato de comer, é o símbolo da organização. A filosofia do grupo defende a necessidade de informar o consumidor e de proteger identidades culturais ligadas a tradições alimentares e gastronômicas, além de salvaguardar produtos alimentares e comidas, processos e técnicas de cultivo e processamento herdados por tradição, e de defender espécies vegetais e animais, domésticas e selvagens.
Atualmente, o Slow Food contabiliza mais de 100 mil membros, espalhados em 132 países. Está organizado em grupos locais, que recebem o nome de convivium — que, em latim, significa festim, entretenimento ou banquete. Os líderes locais organizam, periodicamente, uma série de atividades, como oficinas de educação alimentar, palestras, degustações, cursos e roteiros de turismo enogastronômico. Também apoiam campanhas lançadas pela associação em nível internacional.
O convivium Slow Food Cerrado iniciou suas atividades em novembro de 2009, a partir do desejo e da necessidade de valorizar o Cerrado, que representa um dos mais ricos biomas do mundo. E nada seria mais prazeroso do que fazê-lo através da ecogastronomia, conforme explica a líder do grupo e cientista de alimentos, Roberta Marins de Sá.

ComunitàItaliana – Qual é a particularidade do Slow Food Cerrado e quando nasceu?
Roberta Sá – Acredito que a particularidade do Slow Food Cerrado é a diversidade de seus associados. Alguns são gastrônomos, profissionais da área de gastronomia e gourmets, enquanto outros são ambientalistas, estudantes, jornalistas, acadêmicos e pesquisadores. O convívio é formado por um grupo de pessoas de diversas áreas da sociedade do Distrito Federal e entorno. Juntos, formam um conjunto bem equilibrado.

CI – Quando e como o Slow Food chegou ao Brasil?
RS – O primeiro convívio Slow Food do Brasil foi o Slow Food Rio de Janeiro, que iniciou suas atividades no final da década de 1990.

CI – Quantas pessoas estão envolvidas?
RS – Hoje, temos 80 associados (pessoas que se associaram ao Slow Food e que têm carteirinha de sócio). Muitos outros simpatizantes também participam ativamente de nossas atividades.

CI – O Slow Food Cerrado engloba quais cidades do Brasil? 
RS – Nossos associados estão principalmente em Brasília, Taguatinga, e outras cidades do entorno do Distrito Federal. No entanto, temos associados que moram em Brazlândia, Cidade Ocidental e Goiânia, no estado de Goiás. Não existe uma regra específica, e as pessoas podem se associar ao convívio que mais lhes agrada. O ideal, no entanto, é que se associem ao convívio mais próximo, para poder participar das atividades locais com mais facilidade.

CI – Quais são os produtos típicos do Cerrado que vocês querem difundir?
RS – Em primeiro lugar, estamos interessados em mostrar o valor gastronômico, social e ambiental dos alimentos nativos do Cerrado e, para isso, precisamos ter contato, degustar e conhecer os produtos, e também as pessoas que estão envolvidas com a extração, coleta, processamento e produção destes alimentos. Os alimentos produzidos localmente e de forma sustentável, não necessariamente nativos do Cerrado, mas importantes para a nossa alimentação diária, também estão na nossa pauta. 

CI – Quais são as dificuldades para difundir esse movimento?
RS – Uma dificuldade é a de que os brasileiros, em geral, não possuem o hábito de se associarem, de pagar uma anuidade para fazer parte efetivamente de uma associação, influenciando nos rumos tomados pela associação. Outra dificuldade é o entendimento de que o Slow Food é um movimento feito pelas próprias pessoas, e que cada um que se associa a um convívio pode propor, liderar e coordenar a realização de atividades, sem necessariamente passar por uma hierarquia, ou esperar pela liderança, desde que estas atividades estejam dentro dos princípios do grupo e que promovam o alimento bom, limpo e justo. 

CI – Há alguma ligação com outros movimentos sociais no Brasil? 
RS – Pouco a pouco, os movimentos sociais estão compreendendo o que queremos dizer quando falamos em ecogastronomia, e tem se aproximado. Ao mesmo tempo, os gastrônomos envolvidos com o Slow Food estão percebendo a importância dos movimentos sociais e a rede vai crescendo e se fortalecendo. A Rede Terra Madre, promovida pelo Slow Food, é fruto desta aproximação maior entre o movimento Slow Food e outros movimentos sociais.

CI – Quais são os projetos para o próximo ano?
RS – Vamos continuar realizando a Quinta Slow, um encontro mensal que fazemos na primeira quinta-feira de cada mês, no restaurante Panelinha, e realizando eventos, oficinas e visitas aos produtores locais de alimentos. Queremos estreitar os laços com os produtores orgânicos do Distrito Federal e entorno, e realizar mais atividades educativas envolvendo crianças.

CI – Quais são os restaurantes em Brasília que promovem o Slow Food Cerrado?
RS – Atualmente, o restaurante parceiro do Slow Food Cerrado é o próprio Panelinha, situado no final da Asa Norte. Temos também uma parceria com a Central do Cerrado, a cooperativa de comercialização de produtos oriundos do Cerrado produzidos por diversas comunidades, e com a Arca do Sabor Gastronomia Infantil, uma escola de gastronomia para crianças.   
Entre o mar e a família
Por Nathielle Hó   
30 de novembro de 2011

ImageCinco restaurantes especializados em comida italiana carregam no nome e na culinária a tradição familiar

Rio de Janeiro – A rede de restaurantes Alessandro & Frederico conta com cinco franquias e tem como dono Fabrizio Giuliadori. Filho de italiano, Giuliadori fazia visitas eventuais ao Brasil devido ao emprego do pai: foi assim que conheceu a cidade maravilhosa. Giuliadori fixou residência por aqui a partir de 2001, quando abriu a primeira filial do restaurante na Rua Garcia D’Ávila, no charmoso bairro de Ipanema. A experiência e a vontade de desenvolver a gastronomia italiana foram herdadas do pai.

— Meu pai Lamberto já era dono de um restaurante em Milão, então quando vim para o Brasil comecei a trabalhar com importação de produtos italianos. Nesse meio tempo, surgiu a chance de comprar um imóvel na Garcia D’Ávila, onde fiz meu primeiro restaurante — lembra Fabrizio.

O nome do restaurante remete à família. Fabrizio resolveu fazer uma singela homenagem aos seus filhos. Alessandro, o primogênito, atualmente com doze anos, e Frederico, o caçula de dez, dão nome ao estabelecimento e estampam uma foto na entrada do local. Em estilo lounge, os restaurantes da marca apostam no charme da decoração para atrair frequentadores.

Morador do Rio, Fabrizio faz viagens todos os anos à Itália, onde vai buscar inspiração para pratos e aromas que depois introduz no cardápio. As comidas do Alessandro & Frederico são preparadas pelo italiano Genaro Cannoni, nascido na região da Basilicata. O menu do restaurante conta com mais de 50 sabores de pizza, todas preparadas no forno à lenha. Uma das mais pedidas é a Siciliana (shimeji, tomate seco, gorgonzola, parmesão e rúcula). A culinária italiana se faz presente ainda em massas como o “inhoque à moda do chef”. Dentre as estrelas do cardápio, figuram alguns pratos com carne — como o Saltimbocca alla Romana, seguida de Ossobuco de Vitela com Risoto de Açafrão. Saladas, sopas, omeletes e tartares também são destaques, além dos famosos sanduíches. Vale ressaltar que todas as pastas e pães são feitos no próprio restaurante.  

Inhoque à moda do chef

Ingredientes da Massa: 500g de farinha de trigo; 400g de batata cozida; 50g de parmesão; 250ml de água; sal a gosto.

Modo de fazer: Misturar todos os ingredientes até criar uma massa homogênea. Depois enrolar a massa em forma de corda e cortar em cubos com uma faca. Coloque uma panela com água para ferver e acrescente os cubos de massa. Ao flutuar, retire os cubos e despeje os mesmos em um recipiente com água gelada e gelo. Depois, coloque a massa em um escorredor e guarde-a cozida na geladeira.

Ingredientes do Molho: 20g de manteiga; 100g de filé mignon cortado em tiras; meia cebola cortada em cubos pequenos. Misture esses ingredientes em uma frigideira e deixe cozinhar por 5 minutos. Depois acrescente: 100ml de creme de leite; 20ml de molho madeira; sal e pimenta a gosto. Deixe em fogo brando por mais alguns minutos e acrescente ao final 20g de gorgonzola para derreter com o molho.

Etapa final: Jogue o inhoque pré-cozido na água fervente por 1 minuto e retire. Depois, acrescente o molho e bom apetite.

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